Greve Geral de 27 de Junho de 2013:
abalo irreparável no Governo PSD/CDS-PP
1. A grande Greve Geral de hoje, com uma extraordinária adesão dos
trabalhadores e uma convergência e apoio generalizado, expressos na
opinião e nas ruas, constitui uma indiscutível manifestação da vontade
de mudança e uma enorme demonstração de força dos trabalhadores e do
povo português.
2. A Greve Geral de hoje evidencia quatro aspectos fundamentais:
Primeiro. A Greve Geral constitui um abalo irreparável no Governo
PSD/CDS-PP e na sua política, um governo e uma política fora da lei, à
margem e contra a Constituição da República, sem legitimidade e
desacreditados. A partir de hoje a questão não é se o Governo vai ser
derrotado. É a de prosseguir e intensificar a luta para acelerar o
momento da sua derrota, libertando o País da sua política desastrosa.
Segundo. A Greve Geral constitui uma indesmentível exigência da
rejeição da política de direita, dos PEC, do Pacto de Agressão subscrito
pelo PS, PSD e CDS-PP com a União Europeia, o BCE e o FMI, do rumo de
desastre nacional, de agravamento da exploração, empobrecimento,
recessão, desemprego, ataque às funções sociais do Estado, aos serviços
públicos, à democracia e à soberania nacional.
Terceiro. A Greve Geral constitui uma demonstração inequívoca de
rejeição e de determinação, para enfrentar e derrotar o programa de
medidas que visa uma nova diminuição dos salários e de outras
remunerações, o aumento da precariedade, a facilitação dos
despedimentos, incluindo a tentativa de dezenas de milhares de
despedimentos na Administração Pública, o aumento do horário de
trabalho, o aumento da idade da reforma, novas penalizações na protecção
social, com menos apoio na doença e no desemprego, uma redução ainda
maior do valor das reformas e pensões.
Quarto. A Greve Geral constitui uma inquestionável afirmação de
participação, elevação de consciência social e de classe, força,
dignidade e vontade de mudança, de quem não se resigna, nem se cala,
perante a destruição das suas vidas e do país, de exigência de um futuro
digno para as gerações actuais e para as gerações futuras, pelo
emprego, os salários, os direitos, a contratação colectiva, a segurança
social e os serviços públicos, pela demissão do Governo, a realização de
eleições antecipadas, por uma política alternativa, por um Portugal com
futuro.
3. A Greve Geral de hoje, uma das maiores de sempre, teve uma grande
adesão e uma profunda repercussão na vida nacional, em todo o País e nos
diversos sectores de actividade, na indústria, nos serviços, no sector
privado e no sector público.
Na indústria com a paralisação de muitas empresas, total ou quase
total, como o Arsenal do Alfeite, os Estaleiros Navais de Viana do
Castelo, Lisnave Mitrena, a Browning, a Sakthi, a Autoeuropa e o
respectivo parque industrial, a Visteon, a Exide/Ex-Tudor, a Kemet, a
Jadoibéria, a Grosbecker, a Mitsubishi, a Petrogal (Sines), a Dyrup, a
Inapal, a Renault/Cacia, a Centralcer, a Kraft, a Parmalat, a Renoldi, a
Cofinca, a Paulo Oliveira, a S. Gobain, cerâmica da Abrigada, a
Valorsul, a INCM, entre tantas outras.
Nas Pescas com a paralisação generalizada das lotas e frotas de pesca.
Nos transportes com a paralisação total ou praticamente total da CP,
CP Carga, Refer, EMEF, do Metropolitano de Lisboa, do Metro Sul do Tejo,
do Metro do Porto, da Soflusa, da Transtejo, da Atlantic Ferries, dos
STCP, dos transportes urbanos, em particular, de Braga, Guimarães,
Coimbra e Barreiro, elevadíssimas adesões na Carris, nos TST, Transdev
e, em geral, nos transportes privados de passageiros. Verificou-se a
paralisação da generalidade dos portos marítimos nacionais. Nos
transportes aéreos significativas adesões, designadamente nos sectores
de terra (manutenção e handling) e impacto na operação aeroportuária.
Nos Correios, traduzida em particular por uma massiva adesão dos trabalhadores dos CTT e forte incidência em outras empresas.
Na Administração Pública verificou-se uma muito forte participação.
Na saúde com expressões na generalidade dos hospitais e centros de
saúde. Na educação em geral e no ensino superior. Na segurança social,
na justiça, nas finanças e em outros serviços.
Na administração local nas diversas áreas desde a paralisação total
ou quase total na recolha dos resíduos sólidos, à muito forte adesão nos
serviços municipalizados e conjunto da actividade das autarquias.
Nos serviços são de salientar a dimensão das adesões verificadas na
grande distribuição comercial, numa clara progressão de adesões neste
sector, como é exemplificado pela cadeia Moviflor, e um significativo
número de superfícies comerciais e lojas, na hotelaria e cantinas, no
sector financeiro com centenas de balcões encerrados ou fortemente
afectados, e na área de equipamentos e estruturas sociais designadamente
das IPSS e Misericórdias.
Uma greve com forte expressão em muitas outras áreas como se verifica
no sector das artes e do espectáculo, na comunicação social,
evidenciado com adesões diversificadas e uma expressiva participação dos
trabalhadores da Lusa.
Relevante é o facto de muitos trabalhadores com vínculos precários terem feito greve pela primeira vez.
Destaca-se desta jornada de luta a participação de muitos milhares de
pessoas nas mais de 50 manifestações e concentrações realizadas,
revelando um grande apoio e participação do povo português.
4. O PCP saúda os trabalhadores portugueses pela sua participação
nesta jornada de luta, tanto mais significativa quanto se verifica numa
situação marcada pelo desemprego, com um milhão e quinhentos mil
trabalhadores desempregados, pela precariedade, pelas dificuldades
económicas, por inúmeras ameaças e acções repressivas. Os trabalhadores
afrontaram o medo, aderiram massivamente à Greve Geral, numa enorme
demonstração de coragem e determinação, na defesa dos seus interesses e
direitos, dos anseios do povo português, do futuro de Portugal.
O PCP saúda a CGTP-IN, a grande central sindical dos trabalhadores
portugueses, que tomou a iniciativa de convocar a Greve Geral, as mais
diversas estruturas e organizações que a ela se associaram, os milhares
de dirigentes e activistas que com a sua consciência de classe, a sua
dedicação, persistência, combatividade e coragem, no trabalho de
esclarecimento e mobilização prévio, em piquetes de greve nas suas
empresas e locais de trabalho e junto delas, criaram condições para o
êxito desta grande jornada de luta dos trabalhadores e do povo
português.
5. Portugal falou. Os trabalhadores, os desempregados, os reformados e
pensionistas, as jovens gerações, o povo português, fizeram ouvir a sua
voz face ao grande capital nacional e transnacional e aos seus
representantes políticos no País e no mundo.
O PCP reafirma a necessidade e a urgência de pôr fim à política de
direita que sucessivos governos têm aplicado e ao rumo de desastre
nacional para que estão a empurrar o País. O PCP reafirma a sua
confiança na necessidade e possibilidade de concretização de uma
política patriótica e de esquerda e de um governo que a concretize.
O futuro do País está nas mãos dos trabalhadores e do povo, usando
todos os direitos que a Constituição da República Portuguesa consagra,
com o prosseguimento e intensificação da luta pelos seus interesses e
direitos, pelos valores de Abril no futuro de Portugal.